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Jovem jogador a rematar num exercício de finalização sub-11, defesa de colete vermelho ombro a ombro e guarda-redes de verde pronto na linha de baliza.

A minha equipa não marca golos: 3 exercícios de emergência para treino de finalização com crianças

⚽ A tua sub-11 marca pouco? identifica cinco causas típicas e muda o treino de finalização em três semanas com três exercícios de 5 minutos.

Atualizado em 11 min de leitura
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Em resumo

  • Por treino sub-11 cada jogador precisa de pelo menos 30 remates à baliza; na rotina clássica fica muitas vezes só nos 5 a 10.
  • O treino de finalização entra nos primeiros 30 minutos após o aquecimento, não no fim; pernas cansadas dão remates imprecisos e nenhum efeito de aprendizagem.
  • A maioria dos golos sub-11 sai da pequena área, não dos 16 metros; simula distância curta e pressão em vez de rematar à baliza vazia.
  • Três exercícios de cinco minutos chegam: frequência para volume, mini-jogo de quatro balizas para pressão e distância, passe cruzado para o remate em movimento.
  • Três semanas com cinco minutos de finalização dirigida por treino mudam a taxa de remates e golos de forma mensurável; regista remates e golos por jogo.

Três jogos, sem golo: o problema não é o talento

És treinador adjunto de um U11 e, depois de três derrotas seguidas, sentas-te ao domingo à mesa da cozinha com o boletim de jogo na mão: dez remates à baliza, nenhum dentro. No treino tudo parece normal, as crianças correm, jogam, rematam. Em jogo não conseguem e tu perguntas-te: má sorte, falta de forma, avançados fracos?

Provavelmente nenhuma destas coisas. A seca de golos no futebol jovem quase nunca tem que ver com talento. É uma questão de repetição, pressão e arquitetura de treino. E isso pode virar-se em duas a três semanas se dedicares cinco minutos por sessão à finalização de forma específica, em vez de o deixares correr como um "há de chegar".

Este artigo mostra-te as cinco causas mais frequentes de seca de golos em U11, três exercícios de cinco minutos cada que atacam exatamente essas causas e um plano concreto de três semanas com o qual vais ver a diferença no próximo jogo.

Cinco causas que estão quase sempre por trás

Antes de mudares os conteúdos do treino, identifica onde aperta o problema na tua equipa. Costuma ser um dos seguintes pontos, muitas vezes dois combinados.

Causa 1: Poucas finalizações por treino

Num jogo U11 um avançado faz, de forma realista, entre dois e cinco remates à baliza. Se no treino só somar mais cinco a dez, são no máximo quinze remates por semana. Não chega para criar rotina. Apoio em dados também no escalão de desenvolvimento: na Premier League 2 (liga inglesa Sub-23) as equipas vencedoras fazem 14,22 remates e 6,86 enquadrados por jogo, as derrotadas 11,22 / 4,18 (p < 0,001). Os remates enquadrados são o preditor individual mais forte de vitória neste estudo. Avançados profissionais fazem números de três algarismos por semana; em qualquer idade, o volume é a primeira alavanca.

Remates enquadrados por jogo: equipas derrotadas vs vencedoras

Premier League 2 (Sub-23): as equipas vencedoras fazem 64 % mais remates enquadrados por jogo (p < 0,001). Os remates enquadrados são o preditor individual mais forte de vitória.

4,18Equipas derrotadas6,86Equipas vencedorasREMATES ENQUADRADOS POR JOGO

Winning in Premier League 2: a statistical model of technical performance indicators (2026).

Causa 2: Remates sem pressão

Quando o avançado recebe calmo, dá três passos para a baliza e remata para uma baliza vazia, está a treinar aquecimento. Em jogo aparece um defesa, o guarda-redes está colocado, a bola salta. Remates sem defesa e sem pressão de tempo praticamente não se transferem para a situação de jogo.

Causa 3: Distância errada

A maior parte dos golos em jogos U11 caem da pequena área, não da linha do meio-campo aos 16 metros. Se o teu treino só treina remates de 16 metros para baliza vazia, estás a treinar uma situação que quase não acontece em jogo. Distância curta, pouco tempo de reação, remate rápido, essa é a realidade.

Causa 4: Remate parado

No treino: receber, virar, apontar, rematar. Em jogo: a bola chega, o avançado está em movimento e tem meio segundo para finalizar. Quem só remata parado não consegue rematar em movimento. É outro movimento, outra posição do pé, outro olhar.

Causa 5: Finalização no fim do treino

Se o teu fluxo de sessão é "aquecimento, técnica, joguinho, finalização", a tua equipa está a rematar nos últimos dez minutos, quando as pernas pesam, a concentração foi-se e todos só querem jogar. A finalização vai nos primeiros trinta minutos, frescos e despertos. Isso muda tudo.

Se a tua equipa também perde a bola com frequência no um contra um perto da baliza, mais remates não resolve isso. Antes precisas de exercícios sólidos de drible para U9 a U11 para que mais volume de finalização tenha efeito.

Exercício 1: 1 contra guarda-redes em frequência de cinco minutos

Exercício 1: Frequência de remate

Duas filas à frente da baliza, alternando pegar bola, dois passos, remate, depois para a outra fila.

TABBalizaGuarda-redes30 remates por jogador em 5 minutos

Montagem. Uma baliza com guarda-redes. Duas filas à frente da baliza, uma à esquerda e outra à direita, cada uma a sete ou oito metros. Uma reserva de bolas em cada fila. Um jogador de cada fila alterna: pegar na bola, dois passos, finalização à baliza, ir já para a outra fila. O seguinte sai assim que a bola está dentro ou fora.

Objetivo. Trinta remates por jogador em cinco minutos. Sem apontar, sem pensar. Bola, passo, remate. O núcleo é o volume, não a precisão.

Indicação do treinador. A cada décimo remate, parar brevemente e dar uma dica: "Cabeças levantadas, olha para a baliza, não para o chão." Sem correções táticas, sem discussão. Só frequência e olhar.

Porque funciona. Causa 1 (volume). Em cinco minutos cada jogador acumula os remates que de outra forma faria em duas semanas.

Exercício 2: minijogo de 4 balizas em cinco minutos

Exercício 2: 4 balizas estilo Funino com zona de remate

3 contra 3 em 12 × 18 m, quatro mini-balizas nos cantos — o golo só conta se o remate sair da zona de 6 metros.

A1A2A3V1V2V3Zona de remate de 6 m (regra Wein)

Montagem. Um campo de doze por dezoito metros. Quatro mini-balizas, duas por equipa para defender, nos quatro cantos. Três contra três. Marcar uma zona de remate de seis metros à frente de cada baliza. Os golos só contam se o remate sair da zona de remate. Sem guarda-redes.

Objetivo. Marcar o máximo de golos em cinco minutos. Trocar as equipas a cada ronda para que cada um ataque e defenda.

Indicação do treinador. "Olha qual baliza está livre e vai aí." Não correr para a baliza central, decidir. O exercício é o Funino de Horst Wein (3 contra 3 com quatro mini-balizas), recomendado pelo DFB como formato padrão para G- e F-Jugend desde a reforma de 2024 (Booklet 09/2024). A zona de remate de 6 metros vem diretamente de Wein: "Um golo só é válido se o rematador estiver dentro da zona de remate no momento do remate." O exercício treina duas coisas ao mesmo tempo: pressão (os defesas estão lá) e distância (seis metros, não dezasseis).

Variação com pressão temporal. Memmert (2011) recomenda para formas jogadas com foco em remate: "Tem de acontecer um remate dentro de 20 segundos." Quando a tua equipa já flui, adicionas esta regra: se passam 20 segundos sem remate, a bola vai para o adversário.

Porque funciona. Causas 2 e 3 combinadas. O jogador remata de uma distância realista sob pressão do defesa. Essa é a situação de jogo que falta no treino clássico de finalização.

Exercício 3: finalização em movimento em cinco minutos

Exercício 3: Finalização em movimento

Passe rasteiro do meio-corredor, o jogador que entra finaliza direto — sem parar a bola.

TPLBalizaGuarda-redesPassador (meio-corredor)Atacante do círculo central

Montagem. Uma baliza com guarda-redes. Posição exterior (meio-corredor esquerdo) com uma reserva de bolas. Do círculo central um jogador arranca a correr para a baliza. O exterior coloca um passe rasteiro à grande área. O jogador que entra finaliza direto em movimento, sem parar a bola. Imediatamente o seguinte.

Objetivo. Dez a quinze remates por jogador em cinco minutos. Trocar a posição exterior a cada ronda para que o passador também aprenda ritmo.

Indicação do treinador. "Primeiro o movimento, depois o remate." Quem para a bola é lento e dá tempo ao defesa. O remate tem de sair em corrida, com o primeiro toque à baliza. O observador técnico da UEFA Mićo Martić resumiu-o no relatório do U19 Futsal 2026: "One-touch finishing is a must." O mesmo vale para futebol de base em campo grande: um toque a menos significa um remate mais rápido.

Porque funciona. Causa 4 (remate em movimento). Essa finalização direta é a situação de golo mais comum em jogo e a mais rara no treino. Cinco minutos durante três semanas bastam para virar isso.

O plano de 3 semanas: o que fazer agora

Os exercícios só funcionam se os meteres com consistência no fluxo do treino. Aqui o plano concreto para as próximas três semanas.

Arquitetura de treino. Coloca os exercícios nos primeiros trinta minutos, depois do aquecimento e antes do jogo principal. As pernas estão frescas, a concentração ainda está lá, isso faz cada remate contar mais. O fim do treino é jogo, não técnica — e o manual do DFB para Bambini até D-Jugend é claro: pelo menos 50 % do tempo de treino deve ser forma jogada com remate em alguma variante. Duas alavancas combinadas: exercícios dirigidos à frente, muito tempo de jogo no fim.

60 minutos de treino com bloco de remate à frente

Aquecimento, exercícios de remate nos primeiros 30 minutos, depois o jogo — proporcional ao tempo.

10'Aquecimentosolto5'Exercício 1Frequência10'Exercício 2 ou 3Pressão/Movimento3'Pausahidratação32'Jogo≥ 50 % da sessão60 MINUTOS

Repartição segundo o manual do treinador DFB Bambini a D-Jugend (pelo menos 50 % jogo).

Distribuição por semana.

Três semanas, cada uma com foco claro. No próximo jogo oficial já deves ver a diferença nas situações de remate.

Semana 1: Volume

Exercício 1 (frequência) em cada treino. Objetivo: cada jogador chega aos seus 30 remates por sessão. Efeito visível ao fim de quatro dias.

Semana 2: + Pressão

Exercício 1 continua, mais Exercício 2 (Funino com zona de remate) na segunda sessão. Primeiras situações sob pressão defensiva.

Semana 3: + Movimento

Os três exercícios em rotação. Primeiro treino: Exercício 1 + 3. Segundo: Exercício 2. Finalizações diretas já no repertório.

O que medir. Anota a seguir a cada jogo o número de remates à baliza e o número de golos. Após três semanas compara com os três jogos anteriores. Se sobem os remates mas não os golos, ainda tens um problema de volume ou distância. Se sobem os dois, o plano funcionou.

Se o teu próximo torneio está nas próximas semanas, podes preparar em paralelo o calendário e a convocatória com calma, em vez de improvisar na véspera.

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Fontes

  • Winning in Premier League 2: a statistical model of technical performance indicators (2026). Remates e remates enquadrados por jogo em equipas Sub-23 vencedoras e derrotadas (14,22 / 6,86 vs 11,22 / 4,18); remates enquadrados como preditor individual mais forte de vitória.
  • Wein, H.: Inteligência de jogo no futebol. Regulamento Funino, incluindo a zona de remate de 6 m: "Um golo só é válido se o rematador estiver dentro da zona de remate no momento do remate."
  • DFB: Formatos de competição no futebol infantil, edição 09/2024. Recomenda Funino (3 contra 3 com quatro mini-balizas) como formato padrão em G- e F-Jugend.
  • DFB: Tipps für Bambini, F-, E- und D-Jugend (Münchener Fußballschule, manual do treinador DFB). "Pelo menos 50 % do tempo de treino até D-Jugend deve ser sempre jogo (em diferentes variantes)."
  • Memmert, D. (2011): Vermittlung von Spielfähigkeit. Recomenda para formas jogadas com foco em remate: "Tem de acontecer um remate dentro de 20 segundos."
  • UEFA Technical Report (março 2026), The Technician. Mićo Martić sobre o U19 Futsal EURO: "One-touch finishing is a must" — aplicável de forma análoga ao futebol de base em campo grande.

Perguntas frequentes

Quantas finalizações precisa um jogador U11 por treino?
Pelo menos 30 finalizações à baliza por jogador e sessão, distribuídas por blocos focados de 5 minutos. No fluxo clássico de treino, um U11 muitas vezes só faz 5 a 10 remates por sessão, o que não basta para criar rotina. Um exercício simples de frequência com duas filas à frente da baliza entrega 30 finalizações em cinco minutos, sem bloco extra de aquecimento ou correção tática.
O treino de finalização vai no início ou no fim da sessão?
No início. Em concreto: nos primeiros 30 minutos depois do aquecimento, antes do jogo principal. As pernas estão frescas, a concentração está alta, cada remate conta mais. No fim do treino as crianças estão cansadas, os remates ficam imprecisos e o efeito de repetição cai muito. O jogo vai no fim, os exercícios de finalização vão à frente.
Quanto tempo leva o treino de finalização a aparecer nos jogos?
Três semanas chegam, se puseres cinco minutos de finalização focada em cada treino. Após a semana 1 (exercício de volume) notas que os jogadores olham mais ativamente para a baliza. Após a semana 2 com o exercício de pressão acrescentado, sobem os remates por jogo. A partir da semana 3 caem mais golos. Mede objetivamente: conta remates à baliza e golos antes e depois.
Preciso de mini-balizas para um treino de finalização eficaz com crianças?
Úteis, mas não obrigatórias. Quatro mini-balizas (duas por equipa, no máximo 2 por 1,2 metros cada) tornam o 3 contra 3 estilo Funino o exercício de pressão mais forte, porque os jogadores têm de decidir qual das quatro balizas está livre. Sem mini-balizas reais, marca-as com cones ou estacas, funciona. Para puros exercícios de frequência basta uma baliza normal com guarda-redes.
O que muda na finalização em movimento face ao remate parado?
Parado, o jogador tem 1 segundo para apontar, isso é conforto de treino. Em movimento a bola chega enquanto o jogador corre, dispõe de 0,5 segundos, e o remate sai ao primeiro toque sem parar a bola. Em jogo a versão em movimento é o padrão, no treino costuma ser a exceção. Quem só remata parado não consegue fazer no jogo.