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Treinador entrega uma garrafa de água a uma jovem jogadora numa pausa para beber, à sombra de uma tenda, com crianças desfocadas a beber atrás dela num relvado de verão seco.
Prática do treinador

Futebol no calor: o guia do treinador para dias de jogo quentes

Futebol no calor: a partir de que temperatura cancelar, quanto a sua equipa precisa de beber, pausas para beber como no Mundial e o que fazer em caso de golpe de calor.

Publicado em 13 min de leitura

Em resumo

  • Acima de 35 graus (ou 32 graus com mais de 80 por cento de humidade), o jogo passa para a noite; a partir de 40 graus, é cancelado.
  • Durante o esforço, beber 150 a 250 mililitros a cada 15 a 20 minutos, não só quando há sede.
  • No Mundial 2026 há, em cada jogo, duas pausas para beber de três minutos, por exemplo aos 22 e aos 67 minutos.
  • Sumo diluído com eletrólitos caseiro: 500 ml de sumo de maçã turvo, 500 ml de água mineral, uma pitada de sal, um pouco de limão.
  • Em caso de confusão, perda de consciência ou cãibras, ligar já para o número de emergência 112; um golpe de calor põe a vida em risco.

Quando, no Mundial 2026 nos EUA, até os profissionais agarram a garrafa a meio do jogo, fica claro: o calor não é um tema secundário. Ali a FIFA introduziu pausas para beber obrigatórias em todos os jogos, e discute-se acaloradamente o seu sentido. Para ti, treinador de uma equipa de jovens, a situação é mais simples e ao mesmo tempo mais séria. As crianças sobreaquecem mais depressa do que os adultos, e no campo improvisado não há médico de equipa à margem.

Este guia dá-te o plano completo para o calor: limites de temperatura, quantidades a beber, lanches, emergência por calor e lista de bagagem. Tudo com números concretos, para que num dia de jogo quente saibas o que fazer.

A partir de que temperatura é que o futebol no calor se torna crítico?

A Comissão de Medicina Desportiva da DFB indica valores-limite claros que te servem de orientação:

CondiçãoMedida
a partir de 30 °CCuidado: proteção solar, pausas para beber extra, baixar a intensidade
acima de 35 °C (ou acima de 32 °C com humidade acima 80 %)Passar para a noite ou adiar
a partir de 40 °CSem jogo, sem treino

A segunda linha é importante: já aos 32 graus se torna crítico se o ar estiver húmido. Pois o teu corpo arrefece pela evaporação do suor. Se o ar estiver cheio de humidade, o suor evapora pior e o arrefecimento falha. 32 graus com ar abafado pesam mais do que 35 graus com ar seco.

As crianças não são adultos em ponto pequeno. Em relação ao peso, têm uma superfície corporal maior, absorvem por ela mais depressa o calor de fora e aquecem mais rápido. Ao mesmo tempo transpiram de forma menos eficiente e sentem a sede de forma menos fiável. Por isso, no calor dependem mais de ti, que defines as pausas e a bebida. O que vale de forma estrita para os teus sub-9 vale de forma atenuada para os juvenis, mas vale.

O quão exigente o calor é de facto não se lê só pela temperatura do ar. É aqui que entra o índice de calor WBGT, que combina calor, humidade, sol e vento num único valor. As associações profissionais orientam-se por ele: o sindicato de jogadores FIFPRO exige pausas para beber obrigatórias a partir de um WBGT de 26 graus e o adiamento a partir de 28 graus, enquanto a FIFA só põe o seu limite aos 32 graus. Estudos recentes recomendam mesmo, para o futebol, baixar dos 32 para os 29 a 31 graus.

Quase nenhum clube amador tem um aparelho de medição WBGT. Para a prática basta a combinação de termómetro e um olhar à humidade na app de meteorologia. Trata os valores da DFB como recomendação, não como lei, e na dúvida decide com prudência. Ninguém se lembra do jogo que adiaste. Da intervenção da ambulância, sim.

Pausas para beber e cooling breaks: o que o Mundial mostra

As cooling breaks foram introduzidas no Mundial 2014 no Brasil, nessa altura só a partir de um índice de calor de 32 graus e impostas por um tribunal de trabalho. No Mundial 2026 a FIFA vai mais longe: duas pausas para beber de três minutos por jogo, por exemplo aos 22 e aos 67 minutos, em todos os jogos e independentemente do tempo. Treinadores como Tuchel e Deschamps incomodam-se com o ritmo retalhado, e parte da crítica é justa: nas pausas há também muito dinheiro de publicidade. Mas o cerne médico está certo: em calor a sério, as pausas planeadas protegem contra cãibras e problemas circulatórios.

Para a tua equipa, isto significa em concreto: a partir de cerca de 28 a 30 graus, planeias pausas para beber extra de forma fixa, no jogo uma a duas por parte, de dois a três minutos. Manda as crianças para a sombra, deixa prontos vários baldes de água e toalhas, para que possam pôr compressas frias na nuca. No treino controlas o esforço tu próprio, por isso põe as pausas com generosidade e baixa o ritmo.

Uma alavanca subestimada é o arrefecimento prévio. Quem põe as crianças à sombra ainda antes do apito inicial, lhes dá uma bebida fresca e lhes coloca um pano molhado na nuca, começa com uma temperatura corporal mais baixa. Essa reserva dá, na primeira parte, alguns minutos valiosos antes de o calor se fazer sentir.

Adapta também os conteúdos: com muito calor, os blocos intensos de sprint e resistência vão para trás, e a técnica, as bolas paradas e a coordenação para a frente. Assim o esforço fica baixo sem que o treino caia. Como dosear o trabalho de corrida e ritmo no calor está na técnica de corrida para futebolistas.

Num torneio com muitos jogos no mesmo dia, o esforço acumula-se. Como integrar pausas para beber e tempos de folga num calendário de verão está na nossa checklist para o torneio de futebol.

Hidratar bem: antes, durante e depois do jogo

A sede é um sistema de alerta tardio. Quando uma criança sente sede, já falta líquido ao corpo. Por isso, a tua equipa bebe antes, durante e depois do esforço por plano, não por sensação:

MomentoJovens e adultosCrianças (por kg de peso corporal)
Antes (2 a 3 horas)500 a 750 ml5 a 7 ml/kg, 15 a 30 min antes
Durante (a cada 15 a 20 min)150 a 250 ml (cerca de 0,4 a 0,8 l/h)cerca de 10 a 13 ml/kg por hora
Depois1 a 1,5 l por kg perdidocerca de 4 ml/kg por hora de esforço

As quantidades para crianças calcula-las melhor uma vez por jogador e comunica-las aos pais. Uma criança de 40 quilos precisa, antes do jogo, de cerca de 200 a 280 mililitros; uma de 50 quilos, de 250 a 350.

Dois detalhes decidem o efeito. Primeiro o sal: com o suor perde-se sobretudo sódio. Em esforços de mais de uma hora, devem entrar na bebida cerca de 0,5 a 0,7 gramas de sódio por litro, o que mantém o líquido no corpo. Segundo a temperatura: uma bebida ligeiramente fresca, cerca de 15 a 22 graus, bebe-se melhor e arrefece por dentro. A garrafa morna que está no saco de desporto desde de manhã não consegue nem uma coisa nem outra.

Quanto a tua equipa de facto perde descobres com uma balança simples: pesar os jogadores pouco antes e depois de uma sessão; a diferença é a perda de líquido. Meio quilo a menos significa cerca de meio litro que tem de voltar a entrar. Um segundo autocontrolo é a cor da urina. Clara como palha é bom; escura como sumo de maçã quer dizer: bebeu-se pouco, corrigir.

O que beber no calor? Água, sumo diluído, eletrólitos

Para um treino normal no calor basta água. Se for mais prolongado ou intenso, um sumo diluído leve é a melhor escolha, porque fornece hidratos de carbono e algum potássio. A percentagem de hidratos de carbono deve ficar entre três e oito por cento. Acima disso, o açúcar pesa no estômago e atrapalha em vez de ajudar. Cola, chá gelado e bebidas energéticas ficam assim de fora: são demasiado doces e não fornecem sal aproveitável.

Não precisas de comprar bebidas desportivas caras. Um sumo diluído com eletrólitos eficaz misturas tu mesmo:

Sumo diluído com eletrólitos (1 litro)

  • 500 ml de sumo de maçã turvo
  • 500 ml de água mineral
  • 1 pitada de sal
  • sumo de meio limão
  • opcional, alguns cubos de gelo e hortelã fresca

Misturar tudo, mexer bem, servir fresco. O sumo de maçã fornece hidratos de carbono e potássio, o sal completa o sódio, a água o líquido. Quem o quiser mais rico em potássio depois do jogo, come uma banana, o clássico não tem a sua fama sem razão.

O que comer em dias de jogo quentes?

Em dias quentes o apetite baixa, mas a necessidade de energia mantém-se. Por isso aposta em porções pequenas e ricas em água, em vez da refeição substancial. São boas opções:

  • Fruta e legumes ricos em água: melancia, uvas, pepino, laranjas. Fornecem líquido e hidratos de carbono ao mesmo tempo.
  • Banana: a fonte de potássio mais simples, fácil de digerir e rapidamente disponível.
  • Snacks salgados com moderação: uma pretzel ou algumas bolachas de arroz salgadas repõem parte do sódio perdido pelo suor.

O timing conta: a última refeição maior fica duas a três horas antes do apito inicial e é antes leve. Entre dois jogos de torneio bastam pequenos petiscos mais bebida. Depois do último jogo, hidratos de carbono e um pouco de proteína voltam a encher as reservas; uma banana com pão e sumo diluído já cumpre isso. Coisas pesadas, gordurosas ou muito açucaradas antes do esforço, pelo contrário, ficam no estômago e deixam mole.

Reconhecer a emergência por calor e agir bem

Quando o arrefecimento do corpo falha, ameaçam três doenças do calor. O colapso por calor é uma fraqueza circulatória, a insolação uma irritação por sol direto na cabeça. O mais perigoso é o golpe de calor, no qual a temperatura corporal sobe de forma fatal. Crianças e ajudantes mais velhos estão especialmente em risco.

Atenta nestes sinais de alerta em jogadores, ajudantes e também em ti próprio:

  • dores de cabeça, tonturas, náuseas
  • cãibras musculares e cansaço extremo
  • urina escura e suor que parou de repente
  • pele quente e avermelhada, confusão ou alteração da consciência

Prevenir é mais fácil do que tratar: beber muito e cedo, evitar o sol forte do meio-dia, usar lugares de sombra e não levar as crianças, no calor, a rendimentos máximos. Esta secção não substitui aconselhamento médico; numa emergência decide sempre o serviço de emergência.

A lista de bagagem para o calor da tua equipa

Arruma o equipamento para o calor separado do saco normal do dia de jogo; assim encontras mais depressa, no campo, o que precisas:

Lista de bagagem para o calor: quatro categorias

Beber, arrefecer, proteção solar e emergência: arrumar em separado, no dia de jogo mais à mão.

Beber

  • Bidão de água com reserva para toda a equipa
  • Mala térmica com gelo ou acumuladores de frio
  • Sumo diluído com eletrólitos já misturado
  • Copos suficientes ou garrafas identificadas

Arrefecer

  • Várias toalhas para molhar
  • Sacos de gelo ou packs de frio
  • Borrifador com água
  • Tenda ou toldo para fazer sombra

Proteção solar

  • Protetor solar FPS 50 para jogadores e ajudantes
  • Bonés ou chapéus leves
  • Lugar para sentar à sombra
  • Roupa de muda clara e arejada

Emergência

  • Kit de primeiros socorros completo
  • Lista com contactos de emergência de todos os jogadores
  • Telemóvel carregado mais powerbank
  • Localização do desfibrilhador e da clínica mais próxima anotada

Compilado segundo as recomendações da Comissão de Medicina Desportiva da DFB e da BFV.

Uma mala térmica com gelo é o seguro mais barato contra um dia quente. Não só arrefece as bebidas, como os sacos de gelo também ajudam em contusões e na emergência por calor.

Com plano através do dia de jogo no calor

Junta os quatro blocos: conhece os teus limites de temperatura, bebe com a equipa por plano em vez de por sede, faz pausas para beber fixas à sombra e tem a lista de bagagem para o calor no porta-bagagens. Assim tiras ao calor o susto sem cancelar o dia de jogo.

A alavanca mais eficaz não custa nada: o horário certo. Quem coloca os horários de início nas horas mais frescas da manhã ou da noite contorna por completo o calor do meio-dia. Como planear horários de início e tempos de folga com inteligência mostra o nosso guia sobre os horários de início no torneio de futebol. Quem planeia o calendário de forma digital, por exemplo com uma ferramenta como AreaCopa, desloca horários de início e campos em segundos, caso no dia de jogo acabe por estar demasiado calor.

Criar o calendário em dois minutosGrátis e sem registo

Descarregar a lista

Leva o plano para o calor contigo para o campo: a checklist em PDF reúne limites de temperatura, quantidades a beber, pausas e lista de bagagem numa só página. Imprime-a, marca o que já está pronto e tens tudo à mão no dia de jogo.

Futebol no calor – ChecklistDia de jogo no calor: decidir, arrumar, agirBaixar PDF

Fontes

  • DFB, Comissão de Medicina Desportiva: Futebol no calor: as recomendações da Comissão de Medicina Desportiva (dfb.de, 2024). Limites de temperatura (30/32/35/40 °C), adiamento de jogos, medidas de arrefecimento, pausas para beber.
  • Associação Bávara de Futebol / KKH: Futebol no calor: líquidos e eletrólitos em análise e Futebol no calor: o que deves ter em conta! (bfv.de, 2026). Quantidades a beber antes/durante/depois do esforço, sumo diluído com eletrólitos, escolha de bebidas.
  • Associação Bávara de Futebol / DFB: Em caso de golpe de calor: cada segundo conta! (bfv.de). Doenças do calor, sinais de alerta, primeiros socorros.
  • Sociedade Alemã de Medicina Desportiva e Prevenção (DGSP): Desporto com temperaturas altas de verão, o que crianças e jovens devem ter em conta (Lawrenz, 2017). Quantidades a beber para crianças em função do peso corporal.
  • American College of Sports Medicine: Position Stand, Exercise and Fluid Replacement. Quantidades a beber, teor de sódio, temperatura das bebidas.
  • FIFPRO, bem como os fundamentos do WBGT (National Weather Service) e a cobertura mediática das pausas para beber dos Mundiais de 2014 e 2026.

Perguntas frequentes

A partir de que temperatura se deve cancelar um jogo ou treino de futebol?
A Comissão de Medicina Desportiva da DFB recomenda: a partir de 30 graus, mais cuidado, com mais pausas para beber e proteção solar; acima de 35 graus (ou acima de 32 graus com mais de 80 por cento de humidade), passar o jogo para a noite ou para outra data. A partir de 40 graus não deve haver qualquer jogo nem treino. São recomendações, e cada associação regional pode ser mais rigorosa.
Quanto devem as crianças beber a jogar futebol no calor?
Para crianças vale uma regra ligada ao peso corporal: cerca de 5 a 7 mililitros por quilo 15 a 30 minutos antes, ou seja, cerca de 250 a 350 mililitros numa criança de 50 quilos. Durante um esforço de mais de uma hora, acrescentam-se cerca de 10 a 13 mililitros por quilo e por hora. O importante é beber cedo e em pequenos goles, não só quando há sede.
Porque há pausas para beber em todos os jogos do Mundial 2026?
Para o Mundial 2026 nos EUA, Canadá e México, a FIFA introduziu pela primeira vez pausas para beber obrigatórias em todos os jogos, por exemplo aos 22 e aos 67 minutos, durante três minutos cada. Ao contrário de 2014, quando só apareciam a partir de um índice de calor de 32 graus, agora valem independentemente do tempo. É contestado, mas a ideia de proteção em calor a sério continua a fazer sentido.
Qual é a melhor bebida para o futebol no calor?
A água é a primeira escolha; em esforço prolongado ou intenso, um sumo diluído leve ou uma bebida isotónica. A percentagem de hidratos de carbono deve ficar entre três e oito por cento; refrigerantes muito açucarados e bebidas energéticas não têm lugar no campo. Com muita transpiração ajuda um pouco de sódio, por exemplo com uma pitada de sal no sumo diluído caseiro.
Como reconheço um golpe de calor num jogador?
Os sinais de alerta são dores de cabeça, tonturas, náuseas, cãibras, urina escura e confusão repentina. Pele quente e seca e alteração da consciência indicam um golpe de calor, uma verdadeira emergência. Interrompe o esforço de imediato, leva o jogador para a sombra, arrefece a nuca e as pernas com panos molhados e, em caso de confusão ou perda de consciência, liga já para o número de emergência 112.